terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Droga do Sofrimento

Eu tentei me esconder dentro do meu próprio corpo, das minhas vontades, das milhares de coisas que fazia e faço por dia. Me esconder para que ninguém pudesse me achar, me desdobrar, desbravar o poço de tristeza que está aqui as vezes.

Meus sorrisos, minha sintonia, meu jeito leve de ver e de enfrentar a vida. Eles são meu maior alicerce, principalmente nos dias pesados de dor, angústia e sofrimento. Mas, calar as dores, mascarar as tristezas... nem sempre é tarefa fácil. De repente, quando menos se espera, você é encontrado emaranhado dentro de si, confuso, sozinho... amedrontado.

Eu quis calar o mundo, para que ninguém mais sofresse, para que os choros de melancolia que sempre são carregados de nostalgia, pudessem ser substituídos magicamente por sorrisos sinceros e destemidos. Porque tantos outros como eu, se afligem da ausência de um amor que parte e deixa marcas profundas, quase que inertes às cicatrizações.

Quem dera, por pequenos descuidos, todos que amo pudessem ser insensibilizados à droga dos sofrimentos, como dizia Pedro Bandeira, a droga do amor é real, latente e vicia. E junto com ela, como que um antídoto, o sofrimento vem. E eu, eu realmente queria que só o amor chegasse e ficasse, pena não ser possível.

Desato o nó de minha gravata de frustrações e medos, como quem abre o peito pra gritar ao mundo o tormento do sofrer. Deixo minhas lágrimas tocarem à face com delicadeza, elas suavizam a dor do amor. E num piscar de olhos, recebo um afago carinhoso e consolador, de almas que me compreendem, que também sofrem e que, por ironia do destino, também desejam não ver ninguém sofrer.

Rua

Lá fora uma multidão avassaladora de carros, correria, impaciência...

Aqui dentro um misto de tristeza e recolhimento, reflexos da sua ausência...

Você foi embora, sem a menor rogativa, fechou as portas do coração sem olhar para trás...

Eu fiquei perdida, como quem vaga no cais das emoções infortunas...

O cotidiano não anda facilitando as coisas pra mim, esse vai e vem de pessoas, traz e leva emoções...

É no meio desses turbilhões de sentimentos, que me amedronto, te busco..  Não te encontro!

A dor continua aqui, insana... latente!

Você foi meu amor mais impaciente, a volúpia das minhas devassidões, meu Porto nos momentos de fraqueza!

Saio de minha reclusão, como quem bucal resposta... É atormentador!

Nenhum barulho me incomoda mais do que o silêncio da sua partida!

Tento soar destemida... vacilo, sou peça lapidada de amor e sofrimento!

E no auge de todo o meu tormento, te vejo passar numa esquina qualquer, sorridente, livre e com aquele velho boné!

As emoções explodem em meu peito, a ferida sangra ardente.

Recolho meus anseios de mulher sorridente, e torno a perceber que meu amante mais valioso tomou rumou o rumo desastroso contra a minha direção!

domingo, 29 de outubro de 2017

Noite estrelada

Você andou vestido das tuas melhores armaduras, para que não pudesse deixar teus defeitos nus de decência pairarem sobre nós.

Eu me encantei pelas armadilhas do teu astral, me inebriei com teu cheiro de forma sentimental, acalentei minha ânsia por aventuras de amor com as tuas promessas de eternidade.

Você foi se esvaindo, se deixando levar, afastou seu amor acalentador de mim, de ti... de nós!

Eu tentei trilhar mapas, para que pudesse te reencontrar, mas cadê você? Onde foi? Onde está?

Você insiste em estar aqui nos meus pensamentos, causando toda essa dor e sofrimento, me deixou sozinha no meio da multidão de jovens amantes, NUA.. de ti, do teu corpo, do teu amor.

Eu cantei versos de poesias infundadas, para que você não pensasse mais em ir, busquei todos os motivos para que pudesse te ver sorrir, acalentei teu prantos com suaves beijos de amor.

Você afundou na imensidão do teu mar vazio de sentimentos, transformou toda a boemia do nosso caso de amor em ressentimentos... abandonou meu coração triste e solitário.

Eu sucumbi, aquietei-me dentro do meu próprio corpo, não mais sorri pra qualquer outro moço... Ali faltava sua presença marcante.

Eu, permaneço aqui, espreitando as frestas do meu coração, que se mantém calado na imensa solidão, esperando a volta tua para lhe fazer de moradia.

Mas, uma coisa não posso negar, de ti sempre irei lembrar...

Lembrar do teu sorriso encantador, tua alma doce e leve...

Lembrar dos sons calmantes dos teus suspiros aos meus ouvidos...

Lembrar do teu calor, de tuas serenatas de amor.. que me fizeram mulher numa noite fria e estrelada.

sábado, 28 de outubro de 2017

Nevasca

Viajando pela imensidão do azul do céu, o belo casal de andorinhas de olhos castanhos, pairavam sobre o mar azul do fim de outono. Elas, viajavam incansavelmente à procura de abrigo, onde pudessem se aninhar sem medo, onde o vento frio das noites de inverno não as alcançasse.

De forma surpreendente e atormentadora, o inverno adiantou - se na sua chegada, trazendo consigo uma nevasca devastadora; arrastando as andorinhas para longe uma da outra. Fez questão de mantê-la arredias e sem vida, elas eram muito mais unidas, do que quando estavam amedrontadas e só!

Com a força nobre do amor, carregadas de teimosia e amor ardente em seus pequenos corações; as pequenas e delicadas andorinhas bateram asas enfrentando a nevasca fria e cheia de solidão, lutaram contra a tristeza da separação, buscaram elucidar seus olhares de amor carnal quando estavam juntas.

Pobres e pequenas andorinhas, acuadas,  inseguras e sozinhas, não mais podiam brindar seus sorrisos de amor. E no ímpeto das emoções mal resolvidas, dos sentimentos reprimidos e vazios, esbarraram - se num tronco de árvore quando a nevasca cessara.

Olharam - se com surpresa e admiração, tanta felicidade mal cabia no coração. O soar de seu canto fez - se em melodia de amor. Encorajaram - se ao reafirmar o ardor de sua paixão eloquente e mal resolvida. Resolveram não cessar a história de amor, daquela maneira mal compreendida. Aninharam - se sós em um botão de flor, para que o frio do inverno não pudesse adentrar vossos corações, para que na sinceridade de seu próprio cântigo encontrassem soluções... Para que se entre olhassem e sentissem seu amor!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Último abraço

Gosto de entender as pessoas num abraço, acho que é a forma mais sutil e completa de enxergar o outro. Porque quando a gente se permite o abraço, o toque nos conecta à energia de outrém, e nada melhor do que energia pra entender um coração apertado, um sorriso dilacerado, um amor mal compreendido.

Certa vez ouvi de um sábio que o abraço era como o mundo. Porque aconchegava, dava carinho sem palavras, entendia mais que um olhar. Mas, que muita gente tem medo de abraçar de mostrar carinho, para não soar como frágil.

Acho pura tolice!

Sabe por que? A gente nem sabe se vai estar aqui amanhã, quem sabe está perdendo a oportunidade de dizer um "eu te amo" com toda a intensidade que só um abraço nos dá o privilégio de poder dizer? E, mais, só o abraço é capaz de quantificar e validar a intensidade, a imensidão do nosso amor e preocupação.

Mas, meu amor, se você deixou de dar aquele "último abraço", porque o destino não quis, não se preocupe. O seu amor, o calor da sua bondade e complexidade da sua generosidade, com certeza chegaram até o coração da alma cheia de luz à qual o seu abraço pertencia.

Porque as conexões que a gente faz aqui nessa terra, meu amor, são sempre pra nos trazer algo. E aqueles que se conectam conosco, são agraciados com a nossa sabedoria, também.
E apesar de você não ter dado esse último abraço, a sua mensagem de amor e sabedoria se estende plenamente à essa pessoa!

Coletividade

Tempos modernos que mais está pra fracasso do século, do que rico em modernidade e versatilidade. Porque o princípio revolucionário do moderno está sucumbido dentro da individualidade retrógrada de todos nós, que não fazemos o mínimo esforço pra disseminar solidariedade, sororidade ou resiliência. E, insistimos incessantemente em nos amontoarmos dentro de nós mesmos, guardados pela fragilidade dos nossos egos, fonte intocáveis da nossa falta de sensibilidade.

Andamos por aí esbarrando nas próprias pernas, atropelando as vontades alheias, em prol de vitórias que nem sempre são nossas; porque no 'olho por olho, dente por dente' vale tudo, até mesmo passar por cima dos nossos próprios princípios ou convicções. E, doa a quem doer, porque na era do individualismo, quem tem mais "STATUS" é o rei da vez, a nossa vida anda valendo mais "likes" do que respeito e admiração do próximo.

O que muitos não entendem, ou se negam a entender, é que chegamos na era da coletividade, onde estender a mão e ofertar um abraço, vale muito mais do que um título pomposo pendurado num quadro de moldura marfim na parede de um escritório alinhadinho. Porque abraçar e demonstrar afeto é a cura mais potente pros dias difíceis, e que anda mais cara nos últimos tempos, já que nossa auto-suficiência nos impede de compartilhar as coisas simples da vida.

Fazemos questão de usar armaduras contra nossas fraquezas e imperfeições, por medo de que nossas máscaras caiam e amostremos nossas vulnerabilidades, mas e daí? TODOS OS OUTROS, também, são vulneráveis, delicados e andam por aí se sentindo sozinhos, porque assim como nós, guardaram-se dentro de seus egos. Onde a única solução é o amor, o calor de um colo amigo, um sorriso que acolhe e fortalece a alma naqueles dias tempestuosos de fragilidade.

Disputar nosso espaço ao sol não é tarefa fácil, mas se torna muito mais horripilante quando se faz isso sozinho, sem apoio, pisando em ovos para não cruzar o caminho dos donos da verdade. E, mais, há sempre um lugar que é seu, só seu, porque você é dotado de luz, possuidor de dons que ninguém mais possui igual. Por essas e outras, que é chegada a hora de usar mais o coletivo que há dentro de nós, para não mais caminhar sós, porque dividindo, trocando, experimentando, que se percebe o quanto se é incrível, o quanto o outro é essencial, e como nós somos melhores em livres e unidos do que egocêntricos e amedrontados.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Gratidão

Gratidão é quando você saúda o Universo pelas benevolências que traz até sua vida. É um gesto de amor, de agradecimento... de reconhecimento!
Sou grata pela sua vida, pela sua presença na minha vida e, mais, pelas benevolências que você provoca à mim, e à tudo que está ao seu redor.

Talvez você não se dê conta, do quanto é incrível, simplesmente por ser. Porque na sua essência tem a luz inebriante do sol, tem o brilho irrevogável das estrelas, tem o aconchego das noites de lua cheia.

Você é, e por ser já basta. Não precisa se quantificar e  nem mirabolar qualificações, porque ao natural, com sua risada estranha e sem jeito, o seu coração transborda tudo o que você carrega de bom. E como num leve tocar de flautas, faz suavizar as coisas pesadas da vida com palavras carregadas de amor e de ternura.

Voa, sem temor das altitudes da vida. Vai buscar as sementes fartas da felicidade e sabedoria ao longo do azul do céu, e cante com os pássaros o louvor da vida, da sua vida pequena, porém grande em sentimentos e emoções. E quando o mundo bater à sua porta, carregado de tristeza e te fazendo acreditar no NÃO, digas que é cheia de gratidão, e por si só ele entenderá que tu és dona do reconhecimento do Universo!